As Tecnologias na Formação Moral da Vida Escolar de Estudantes
Luiz Antonio Sypriano¹
As tecnologias digitais passaram a ocupar um lugar central na socialização de crianças e adolescentes, influenciando hábitos, valores, comportamentos e formas de relacionamento. Constata-se que os jogos eletrônicos, redes sociais, vídeos curtos e outras plataformas não são, por si mesmos, determinantes absolutos da moral dos estudantes, mas podem funcionar como poderosos agentes de formação cultural, sobretudo quando seu uso ocorre sem limites, mediação familiar e orientação educativa.
Tendo em vista que a exposição prolongada a determinados jogos e conteúdos marcados pela violência pode contribuir, em alguns contextos, para a naturalização simbólica da agressividade, embora não seja correto estabelecer uma relação automática de causa e efeito entre jogos violentos e violência real. Posto que a formação moral resulta de múltiplos fatores estabelecidos nas relações familiares, condições sociais, escola, grupos de convivência, cultura, experiências individuais e ambiente digital.
Mas, um problema mais diretamente observável encontra-se no uso excessivo das telas, especialmente durante a noite. Posto que a permanência prolongada em celulares, jogos e redes sociais pode atrasar o horário de dormir, fragmentar o sono e produzir privação crônica de descanso. Quando impactam na escola, e as suas consequências aparecem na sonolência, dificuldade de concentração, irritabilidade, redução da memória, menor disposição intelectual e perda do interesse pelos estudos.
Desse modo, o problema educacional não está simplesmente na existência das tecnologias, mas na transformação delas em instrumentos que organizam grande parte do tempo, dos desejos e das relações dos jovens. Tendo em vista que, quando o entretenimento digital ocupa o espaço destinado ao sono, à leitura, ao estudo e à convivência social, pode surgir uma espécie de absenteísmo intelectual, no sentido de que o estudante está fisicamente presente na escola, mas encontra-se cognitivamente cansado, disperso e pouco disponível para aprender.
Assim, tanto a escola como a família precisam, portanto, construir uma educação crítica para o uso das tecnologias, estabelecendo limites e desenvolvendo autonomia. Mais do que proibir telas, é necessário ensinar os estudantes a compreender que a liberdade também pressupõe autocontrole. Por conseguinte, a tecnologia deve permanecer como instrumento da vida humana, e não transformar-se em força capaz de organizar integralmente seus hábitos, seus afetos e sua formação moral.
¹ (Professor e Pesquisador nas áreas de Educação, Filosofia, Filosofia da Educação e Política).
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