O CARNAVAL ENTRE A ALEGRIA E A TRISTEZA: UMA LEITURA ESPINOSANA DA MERCANTILIZAÇÃO DA CULTURA NA SOCIEDADE CAPITALISTA CONTEMPORÂNEA
O CARNAVAL ENTRE A ALEGRIA E A TRISTEZA: UMA LEITURA ESPINOSANA DA MERCANTILIZAÇÃO DA CULTURA NA SOCIEDADE CAPITALISTA CONTEMPORÂNEA *Luiz Antonio Sypriano Resumo O presente artigo analisa o Carnaval contemporâneo à luz da Filosofia de Baruch Espinoza (1632-1677), particularmente de sua teoria dos afetos — alegria e tristeza — entendidas como variações da potência de agir do indivíduo e do coletivo. Parte-se da hipótese de que a transformação do Carnaval em mercadoria, sob a lógica da indústria cultural capitalista, produz um paradoxo: enquanto parcela da população consome uma alegria efêmera e passiva, grande parte vivencia uma tristeza estrutural decorrente da exclusão do espaço público e da cultura popular. A partir de revisão teórica da Ética espinosana e do conceito de indústria cultural, argumenta-se que o Carnaval oscila entre dois regimes afetivos: a alegria ativa (potência coletiva) e a alegria mercantil (excitação passageira). Conclui-se que a mercantilização da festa tende a...